quarta-feira, outubro 01, 2008

Vendo a vida viver

Passa quieto
Às sombras.
Espreita; espia
pessoas e gentes.
Vê a vida viver.

Luzes e carros,
Musicas e sons.
Ruídos e fumaças,
Cigarros.
Neons e tons.
Sabores e cores
Espasmos e graça.
Aquieta, coração:
A vida está a viver!

Em um canto qualquer,
Escondido atrás de si,
De um mundo crasso,
Sem ser o seu.
Sim, é de outro mundo.

Ao lado, à margem,
Nem medroso, nem lento:
Tem a coragem felina,
é valente.

Nem um pio, menino!
Deixe a vida viver.
Persegue o Passado
Em ríspido caminho de memórias.
Um espelho turvo,
Outras vezes tão claro que
ofusca a visão!

A imagem refletida
Repetidamente.
E mesmo à distancia
Não impede a analise.
Outras vezes tão dura.
Eternamente
em busca da perfeição!

Desfigurada em retas e ângulos
Convexos, deformes e antagônicos.
A imagem busca a medida exata
de um momento vivido, sonhado;

Obcecada pelo reflexo.
Apaixonada em tensão,
Navega e plana em rasa
E fria face de aparência calma.
Não pode mergulhar no que vê.

O pequeno gato
Agora é fera.
E persegue sim
Em busca duma verdade
Que talvez nem exista como deveria.
- Algumas vezes como queria.

Aprecia e sente.
Sentada diante de si.
Não sabe mais quem é.

sábado, agosto 02, 2008

Calço minhas esperanças
E salto de novo
Refaço meus cálculos
E salto de novo:
Menos um erro
Mais uma mudança.

Agora sei onde piso:
Um terreno molhado,
Escorregadio e liso
Mas sei onde piso.
Uma nova passada,
Um ferrolho no casco,
Um parafuso a menos,
Um cravo solto,
Agora sei onde piso.

O trapézio está armado
A barra está montada
Os obstáculos estão postos
Tudo, or-de-na-da-men-te
Preciso manter o equilíbrio.
Repasso mentalmente
Todos meus passos;
Agora sei onde piso.

Bipo diz:

“Preciso rever minha vida, não posso cair de novo onde estive anteriormente, essa solidão imposta a mim por mim, essa fuga da vida. Preciso manter o equilíbrio. Nada de novo no mundo moderno.”